Por que as marcas genéricas não são elegíveis para proteção
No mundo das marcas, nem todas as marcas são criadas iguais. Algumas marcas recebem proteção ampla, enquanto outras não recebem proteção alguma. Uma categoria que se enquadra neste último grupo é a das marcas genéricas. Mas por que as marcas genéricas não são elegíveis para proteção? Os termos genéricos prejudicam a concorrência leal ao impedir que outros no setor usem a linguagem necessária para descrever os seus próprios produtos ou serviços.
Os termos genéricos são palavras ou frases que definem uma categoria ampla de produtos ou serviços, em vez de distinguir uma origem específica. Não são protegidos pela lei de marcas porque conceder exclusividade a esses termos impediria o uso leal no comércio.
Uma marca genérica refere-se ao nome comum ou à descrição de um produto ou serviço. Por exemplo, termos como "milk," "bread," ou "computer" são considerados genéricos quando usados em relação a esses produtos. Estes termos fazem parte da linguagem do dia a dia e são essenciais para que os concorrentes descrevam os seus produtos ou serviços com precisão. Permitir que uma empresa monopolize um termo genérico restringiria injustamente os outros no mercado. Por exemplo, a palavra 'plumbing' quando usada para descrever serviços de canalização é genérica porque descreve diretamente o serviço oferecido. Da mesma forma, o termo 'queso,' usado para produtos alimentares como queijo, é genérico pois descreve uma categoria de alimentos.
O teste em duas partes para o carácter genérico
A determinação de se um termo é genérico envolve um teste em duas partes:
1. Qual é o género dos produtos ou serviços em questão?
2. O termo que se pretende registar é entendido pelo público relevante principalmente como referente a esse género de produtos ou serviços?
Por exemplo, se uma empresa pretende registar como marca o termo "Computer Store" para um negócio de venda de computadores, o género seria serviços de venda a retalho de computadores. O público relevante entenderia "Computer Store" como referente principalmente a este tipo de negócio, tornando o termo genérico e inelegível para proteção de marca.
Superar uma conclusão de carácter genérico
Ao solicitar uma marca, selecionar desde o início um termo distintivo e não genérico pode simplificar o processo. Seguir as melhores práticas pode ajudar a evitar problemas de carácter genérico.
Se o United States Patent and Trademark Office (USPTO) emitir uma Office Action recusando um pedido de marca com fundamento no carácter genérico, existem estratégias para superar esta conclusão. Uma abordagem eficaz é argumentar que o público relevante não entende imediatamente o termo como genérico.
Argumentar contra o carácter genérico
1. Contestar as Provas:
O examinador deve apresentar "provas claras" de que o termo é genérico. Pode argumentar que as provas apresentadas não cumprem este padrão. Por exemplo, se as provas incluem apenas alguns usos isolados do termo em sentido genérico, pode argumentar que isso não reflete um entendimento generalizado.
2. Marcas Compostas:
Ao lidar com marcas compostas (marcas formadas por várias palavras), argumente que o termo combinado cria uma impressão comercial única. O examinador deve demonstrar que cada palavra no composto retém o seu significado genérico quando combinada. Se a combinação resultar num significado distintivo, a marca pode ser elegível para proteção. Por exemplo, combinar um termo genérico como 'plumbing' com uma palavra ou logótipo único, como 'AquaTech Plumbing,' pode criar uma marca protegível.
3. Perceção do Consumidor:
Apresente provas que demonstrem que os consumidores reconhecem o termo como uma marca e não como um descritor genérico. Isto pode incluir sondagens a consumidores, declarações de profissionais do setor ou provas de uso extensivo do termo em sentido de marca.
4. Significado Secundário:
Demonstre que o termo adquiriu distintividade através de significado secundário. Isto significa que, apesar de inicialmente descritivo ou genérico, o termo passou a ser amplamente reconhecido como identificador de origem dos seus produtos ou serviços. Isto envolve normalmente demonstrar uso extensivo e exclusivo, publicidade significativa e provas de reconhecimento pelos consumidores.
Exemplo prático
Vamos considerar um cenário hipotético. Suponha que pediu o registo da marca "TechBooks" para uma empresa que publica livros sobre tecnologia. O USPTO emite uma Office Action recusando o registo, argumentando que "TechBooks" é genérico para livros sobre tecnologia.
Para superar esta recusa, poderia:
1. Contestar o Género:
Argumente que o género de produtos não é simplesmente "books about technology", mas uma categoria mais específica que "TechBooks" identifica de forma única.
2. Argumento de Marca Composta:
Mostre que "TechBooks" no seu conjunto cria uma impressão comercial distintiva e não é apenas a soma das suas partes.
3. Provas de Perceção do Consumidor:
Apresente provas, como sondagens a consumidores, que demonstrem que o público percebe "TechBooks" como um nome de marca e não como um termo genérico.
4. Significado Secundário:
Apresente provas de uso extensivo, publicidade e reconhecimento para estabelecer que "TechBooks" adquiriu distintividade no mercado.
Conclusão
Navegar pelas complexidades da lei de marcas pode ser um desafio, especialmente ao enfrentar uma recusa por carácter genérico. Compreender por que as marcas genéricas não são elegíveis para proteção e saber como argumentar de forma eficaz contra tais conclusões pode fazer uma diferença significativa na obtenção de direitos de marca. Ao centrar-se na perceção do consumidor, contestar as provas e demonstrar significado secundário, pode superar os obstáculos de uma recusa por carácter genérico e proteger com sucesso a sua marca.
