No vasto panorama do direito de marcas dos EUA, existe um dilema peculiar que muitas vezes deixa autores e editores perplexos: a impossibilidade de registar como marca o título de um único livro. Esta peculiaridade entra frequentemente em conflito com as expectativas daqueles que naturalmente desejam proteger os seus empreendimentos criativos. Neste artigo, vamos aprofundar as nuances do registo de títulos de livros como marca e revelar a exceção que permite a proteção dos títulos de séries.
Os fundamentos: O que é uma marca?
Para compreender a proibição de registar como marca títulos de livros individuais, é preciso primeiro compreender a finalidade de uma marca. Na sua essência, uma marca é um identificador de origem. Indica aos consumidores de onde provém um determinado produto ou serviço, garantindo que podem confiar na qualidade e autenticidade daquilo que compram. As marcas podem ser palavras, símbolos, sons ou até cores que identificam de forma distintiva e distinguem a origem de produtos ou serviços.
Porque os títulos de livros isolados não podem ser registados como marca
Não se considera que os títulos de livros isolados, quando vistos isoladamente, funcionem como marcas aos olhos da lei dos EUA. Isto porque o título de um livro individual, ao contrário de uma série, normalmente não indica uma origem contínua de produtos ou serviços. O título refere-se ao conteúdo do livro, não à sua origem comercial. Por conseguinte, os consumidores normalmente não veem um título isolado como um indicador da origem, mas sim como um descritor do conteúdo.
Por exemplo, o título "The Great Escape" diz-nos mais sobre a narrativa ou os temas do livro do que sobre quem o publicou ou escreveu. Assim, permitir marcas em títulos isolados poderia sufocar a liberdade criativa, potencialmente impedindo os autores de usar um título adequado porque já está "ocupado".
A exceção: Títulos de séries
Contudo, existe uma exceção notável à regra acima referida, e essa exceção gira em torno dos títulos de séries. Um título de série desempenha efetivamente a função de identificação de origem que o direito de marcas procura proteger. Quando os consumidores veem "Harry Potter" ou "The Idiot's Guide", reconhecem instantaneamente não só o conteúdo ou o tema, mas também a marca abrangente e a sua origem consistente. Têm expectativas ligadas a livros anteriores da série ou a outros produtos sob a mesma marca.
Observe como os designs das capas separam visualmente a marca do título do livro.
Vamos aprofundar um pouco mais com o exemplo de "Harry Potter". O nome "Harry Potter" não está ligado apenas a uma única narrativa ou tema; é um identificador de série que abrange vários livros, filmes, merchandising e muito mais. Quando os consumidores veem este nome, associam-no imediatamente a J.K. Rowling, ao mundo mágico abrangente que ela criou e à qualidade consistente da narrativa presente em vários produtos. É precisamente este tipo de identificação de origem que as marcas visam proteger.
Conclusão
As orientações de marcas dos EUA, embora aparentemente peculiares na recusa de proteger títulos de livros isolados, assentam numa base sólida de razão. Protegem a integridade do mercado e garantem que os autores tenham a liberdade criativa para intitular as suas obras sem restrições indevidas. Contudo, ao criar uma exceção para os títulos de séries, também reconhecem e protegem os interesses comerciais de autores e editores que construíram marcas reconhecíveis em torno das suas criações literárias. Assim, embora possa não conseguir registar como marca o título do seu romance de estreia, se este florescer numa série, uma marca poderá estar no horizonte.

